
Graças a Deus, alguém recorda na tarde as sábias palavras de Borges. E eu respiro de alívio e deixo-me simplesmente regressar à mesma mansidão tranquila:
Creio que a poesia é algo tão íntimo, algo tão essencial, que não pode ser definido sem se diluir. Seria como tentar definir a cor amarela, o amor, a queda das folhas no Outono… Eu não sei como podemos definir as coisas essenciais. Penso que a única definição possível seria a de Platão, precisamente porque não é uma definição, senão porque é um fato poético. Quando ele fala da poesia, diz: «essa coisa leve, alada, sagrada». Isso, eu acredito, pode definir, de certa forma, a poesia, já que não a define de um modo rígido, senão que oferece à imaginação essa imagem de um anjo ou de um pássaro».
Jorge Luis Borges










